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Android no PC

Montei um console retrô com PC antigo e Batocera: peças, instalação e configuração completa (grátis)

Veja como montei um console retrô com PC antigo e o Batocera grátis: peças, versão certa, gravação no SSD, controle, português, capas e testes até o PS2.

Por Hércules Santiago
11 min
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Logo do Batocera e controle de Super Nintendo: console retrô com PC antigo

Sempre quis montar um console retrô no canal, e finalmente saiu. Peguei um kit de placa-mãe com processador i5 de terceira geração e 16 GB de RAM que sobrou de outro projeto, um gabinete com cara de videogame, um SSD velho de 120 GB e instalei o Batocera, um sistema gratuito feito só para emulação. O resultado me surpreendeu: rodou de Nintendinho a PlayStation 2, sem placa de vídeo dedicada. Neste guia eu mostro as peças, como instalar o Batocera do jeito certo, como configurar em português e como deixar a biblioteca bonita, com capas e tema.

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No vídeo abaixo eu monto o console do zero e testo os jogos.

O que é o Batocera

O Batocera.linux é uma distribuição Linux gratuita e de código aberto criada para transformar praticamente qualquer computador num console de videogame retrô. Segundo o site oficial, ele reúne os melhores emuladores e dá acesso a mais de 250 sistemas, reconhece a maioria dos controles automaticamente e não exige nenhuma modificação no computador: dá para rodar de um pendrive ou de um cartão SD, só na hora de jogar, ou instalar de vez num SSD.

A grande vantagem sobre um emulador rodando dentro do Windows é o desempenho. Como o sistema inteiro é dedicado à emulação, quase todo o poder do hardware vai para os jogos, sem o Windows consumindo recursos por trás. É por isso que um PC antigo consegue rodar coisas que pareceriam pesadas demais.

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Site oficial do Batocera, sistema grátis para transformar o PC em console retrô
O Batocera é gratuito, de código aberto e roda de um pendrive ou cartão SD sem mexer no PC. Imagem: Batocera.linux

Um aviso que o próprio projeto faz questão de dar, e eu também: o Batocera não vem com jogos comerciais, e você precisa possuir os jogos que vai jogar para estar dentro da lei. O sistema traz apenas alguns jogos de código aberto para demonstração.

As peças que eu usei (e quanto custam)

  • Kit placa-mãe, i5 de terceira geração e 16 GB de RAM: sobrou de um PC de testes. Kits assim são fáceis de achar usados, na faixa de R$ 350 a R$ 480 quando gravei, dependendo da memória.
  • Gabinete compacto com cara de console: encontrei um da Bluecase por cerca de R$ 200, já com fonte de 200 W. Do lado do meu Xbox 360, parece mesmo um videogame.
  • SSD de 120 GB: para o sistema e os jogos. Em jogos de PS2, que são grandes, vale um SSD maior ou um HD extra.
  • Fita de LED RGB: opcional, só para a estética.

Sem placa de vídeo dedicada, a fonte de 200 W sobra. A placa-mãe do kit não tinha conector para a USB 3.0 frontal do gabinete, então essa porta ficou desativada. Detalhes assim aparecem em quase todo projeto com peças usadas.

Sobre o RGB ligado na fonte

No vídeo eu ligo a fita RGB direto nos 12 volts da fonte, aproveitando um conector sobrando, para ela acender junto com o console. Funcionou, mas é uma gambiarra que exige cuidado: confira a voltagem com multímetro, isole muito bem as emendas e nunca puxe energia de um cabo que já alimenta a placa-mãe ou o processador. Se não tiver experiência com elétrica, prefira uma fita RGB alimentada pela USB.

Passo 1: baixe a versão certa do Batocera

Acesse o site oficial, batocera.org, e vá em Download. Na época deste post, a versão atual era a 43.1. Para PC, existem duas imagens, e escolher a errada é o erro mais comum:

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  • x86-64-v3: para PCs e notebooks mais novos.
  • x86-64-v1 (Old Desktop/Laptop): para computadores antigos, como o meu i5 de terceira geração. Processadores sem as instruções mais novas, anteriores à quarta geração da Intel, precisam desta versão.
Página de download do Batocera com as versões para PC antigo e PC novo
Para PC antigo, a imagem certa é a x86-64-v1; para PCs novos, a x86-64-v3. Imagem: Batocera.linux

Na dúvida, comece pela v3. Se o Batocera não iniciar ou travar logo no começo, use a v1. O arquivo vem compactado (.img.gz), e a maioria dos programas de gravação aceita direto ou pede para extrair antes.

Passo 2: grave o Batocera no SSD ou num pendrive com o balenaEtcher

Eu gravei direto no SSD, ligado ao meu PC por um case USB, porque facilita muito. Mas o processo é igual para um pendrive de 16 GB ou mais, se você quiser testar sem desmontar nada.

  1. Baixe e abra o balenaEtcher (ou o Rufus).
  2. Em Flash from file, escolha a imagem do Batocera.
  3. Em Select target, escolha o SSD ou o pendrive. Confira duas vezes: tudo o que estiver nele será apagado.
  4. Clique em Flash e aguarde terminar.

Depois, instale o SSD no console e ligue. Se usou pendrive, conecte e escolha ele no menu de boot da placa-mãe, como eu explico no guia de como dar boot pelo pendrive. A primeira inicialização demora mais, porque o Batocera prepara o disco. Nas próximas, é rápido.

Passo 3: controle, idioma e internet

O Batocera reconheceu meu teclado, o mouse e o controle na hora, já com os botões mapeados. Se o seu controle não for reconhecido, dá para mapear manualmente no menu de controles.

  1. No menu principal, aperte Start no controle (ou a barra de espaço no teclado).
  2. Entre em System Settings, depois em Language, e escolha Português do Brasil.
  3. Volte ao menu principal: o idioma muda na hora.
  4. Para internet, ligue o cabo de rede ou configure o Wi-Fi nas opções de rede, com a senha da sua rede.

Passo 4: adicione os seus jogos

Como eu disse, o Batocera vem praticamente sem jogos. Você adiciona os seus, copiados dos seus próprios cartuchos e discos. Existem dois jeitos fáceis:

  • Pelo próprio console: aperte F1 no teclado para abrir o explorador de arquivos do Batocera, conecte um HD externo ou pendrive e copie os jogos para a pasta roms, cada um na pasta do sistema: nes para Nintendinho, snes para Super Nintendo, megadrive, n64, psx, psp, ps2 e assim por diante.
  • Pela rede: com o console ligado na mesma rede, abra o Explorador de Arquivos do Windows e digite \\BATOCERA na barra de endereço. A pasta compartilhada aparece, e você copia os jogos do PC direto para as pastas certas.

Alguns sistemas, como PlayStation 1 e 2, também precisam do arquivo de BIOS do console, que vai na pasta bios. Assim como os jogos, ele deve ser extraído do seu próprio videogame.

Depois de copiar, vá no menu principal, em Ajustes de jogo, e use Atualizar a lista de jogos. Os jogos aparecem organizados por sistema.

Controle de Super Nintendo para jogar no console retrô com Batocera
O Batocera reconhece a maioria dos controles automaticamente, já com os botões mapeados. Imagem: Evan-Amos (domínio público), via Wikimedia Commons

Passo 5: capas, informações e tema

A lista sem capas fica sem graça. Com internet conectada:

  1. No menu principal, abra Procurar mídia de jogo (scraper).
  2. Em Obter mídias de, escolha uma fonte, como o TheGamesDB ou o ScreenScraper.
  3. Clique em Baixar agora e espere. O Batocera encontra capas, descrições, ano e gênero de cada jogo sozinho.

Para o visual, vá em Atualizações e transferências, Temas, e instale um tema. Eu gosto muito do Hyper Max Plus. Depois, em Ajustes de interface de usuário, defina o tema instalado. A diferença é enorme: parece outro console.

O teste de desempenho na emulação

Com o i5 de terceira geração, gráfico integrado e 16 GB de RAM, o resultado foi este:

  • Nintendinho, Mega Drive e Super Nintendo: perfeitos, como era de esperar.
  • Nintendo 64 e PlayStation 1: rodaram sem nenhum problema.
  • PSP: me surpreendeu, sem queda de quadros mesmo nos jogos mais pesados.
  • PlayStation 2: a maior surpresa. Mesmo sem placa de vídeo e sem otimização, rodou muito bem os jogos que testei.

E dá para ir além: o Batocera tem ajustes de resolução interna, filtros e desempenho por emulador. Com uma placa de vídeo low profile, que cabe nesse gabinete, a ideia é testar sistemas mais pesados nos próximos vídeos.

Batocera ou emulador no Windows: qual é melhor?

Essa é a pergunta que eu mais recebo. Os dois caminhos funcionam, mas para um console de sala o Batocera ganha com folga. No Windows, cada emulador tem a sua janela, as suas configurações e o seu jeito de mapear o controle. Você precisa de teclado e mouse para quase tudo, e o sistema ainda consome memória e processador com atualizações, antivírus e programas em segundo plano.

No Batocera, tudo é pensado para o controle: liga, aparece a lista de jogos com capas, você escolhe e joga. Os emuladores já vêm configurados, o desempenho é melhor no mesmo hardware e não existe atualização do Windows atrapalhando a partida. Já o Windows faz sentido se o computador também é usado para trabalho e estudo, ou se você quer jogar jogos de PC modernos junto com os retrô. Para emular Android no PC, o caminho também é outro, como eu mostro no guia de emuladores de Android.

Quais sistemas o Batocera roda

A lista é enorme, e cresce a cada versão. Os mais procurados, todos presentes:

  • Consoles Nintendo: Nintendinho, Super Nintendo, Nintendo 64, Game Boy, Game Boy Advance e Nintendo DS, além de sistemas mais novos em hardware mais forte.
  • Sega: Master System, Mega Drive, Sega CD, Saturn e Dreamcast.
  • Sony: PlayStation 1, PSP e PlayStation 2.
  • Arcade: fliperamas pelo MAME e outros emuladores de arcade.
  • Computadores antigos: MSX, Amiga, DOS e outros.

Quanto mais novo o console emulado, mais força o PC precisa. Para os 8 e 16 bits, qualquer computador serve. Para PS2, Dreamcast e Nintendo 64, um processador como o i5 de terceira geração já dá conta da maioria dos jogos, como vi no teste. Sistemas mais recentes pedem placa de vídeo e processador bem mais atuais.

Faça backup dos seus jogos e saves

Depois de horas jogando, perder os saves dói. O Batocera guarda tudo na pasta compartilhada, então o backup é simples: pela rede, acesse a pasta do console no Windows e copie as pastas de saves e de jogos para o seu PC ou um HD externo de tempos em tempos. Se você usa o Batocera num pendrive, copie o pendrive inteiro. E antes de atualizar o Batocera para uma versão nova, faça uma cópia, por precaução.

Problemas comuns e como resolver

  • Não passa da tela inicial ou trava ao ligar: provavelmente você gravou a versão v3 num PC antigo. Grave a x86-64-v1.
  • Tela preta na TV: mude a saída de vídeo e a resolução nas configurações de sistema, ou teste outra entrada HDMI.
  • Sem som: nas configurações de áudio, escolha a saída certa, como HDMI ou a saída analógica da placa-mãe.
  • Controle não reconhecido: conecte por cabo primeiro e use a opção de configurar controle no menu. Alguns controles genéricos precisam ser mapeados uma vez.
  • Jogo não aparece na lista: confira se ele está na pasta do sistema certo e se a extensão do arquivo é aceita por aquele emulador. Depois, atualize a lista de jogos.

Dicas para o seu console retrô

  • Não tem PC sobrando? Rode o Batocera de um pendrive no seu computador atual. Ele não mexe no Windows: tirou o pendrive, o PC volta ao normal.
  • Notebook antigo também serve: muitos notebooks parados viram ótimos consoles. Se a ideia for usar o notebook para outras coisas, veja os sistemas leves para PC antigo.
  • Controle sem fio: controles de Xbox e PlayStation funcionam por cabo e, com adaptador Bluetooth, sem fio.
  • Organize por coleções: o Batocera permite criar coleções, como favoritos ou jogos de luta, para achar tudo mais rápido.

Quanto custa montar do zero

Se você não tem nenhuma peça parada, dá para montar um console retrô com orçamento bem controlado. Somando um kit usado de placa-mãe, processador e memória, um gabinete compacto com fonte, um SSD de entrada e um controle USB, o total fica bem abaixo do preço de um videogame atual. E a vantagem é que o mesmo computador pode ganhar uma placa de vídeo depois, quando você quiser emular sistemas mais pesados.

Se o orçamento for ainda menor, considere um mini PC usado de escritório. Muitos deles têm processadores Intel de sexta geração ou mais novos, gastam pouca energia, cabem atrás da TV e rodam muito bem os sistemas até a geração do PlayStation 2. Para quem já tem um notebook antigo, o custo pode ser zero: basta um pendrive com o sistema e um controle.

Vale a pena montar?

Vale muito, principalmente se você tem peças paradas. Por um custo baixo, ou de graça com o que já tem em casa, você monta um console que roda centenas de sistemas clássicos, com interface bonita e controle reconhecido na hora. Me conta nos comentários do vídeo qual placa de vídeo low profile você colocaria nesse kit para a próxima versão do nosso console retrô.

Perguntas frequentes

O Batocera é grátis?

Sim. É uma distribuição Linux gratuita e de código aberto. O projeto aceita doações, mas não cobra nada para baixar e usar.

O Batocera vem com jogos?

Não vem com jogos comerciais. O próprio projeto lembra que você precisa possuir os jogos que joga. Ele traz só alguns jogos livres de demonstração.

Posso usar o Batocera sem apagar o Windows?

Sim. Grave o Batocera num pendrive e dê boot por ele. Ao remover o pendrive, o computador volta a iniciar o Windows normalmente.

Qual versão do Batocera baixar para PC antigo?

A x86-64-v1 (Old Desktop/Laptop). Processadores mais antigos, como Intel até a terceira geração, não rodam a versão v3.

Precisa de placa de vídeo para rodar PS2?

Não necessariamente. No meu teste, um i5 de terceira geração com vídeo integrado rodou bem os jogos de PS2 testados. Uma placa de vídeo ajuda em resoluções maiores.

Fontes:

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Sobre o autor

Fundador e criador de conteúdo

Sempre tive a internet como uma das maiores fontes de informação, mas como alguns assuntos eram bem difíceis de encontrar informações de qualidade, resolvi criar um local para reunir diversas dicas e tutoriais de tecnologia para ajudar pessoas comuns se tornarem verdadeiros mestres, foi aí que nasceu o Mestres da Informática.